A viagem da Mark Up ao Festival Path 2018

Foram mais ou menos 300 horas de palestras na 6ª edição do Festival Path, um dos maiores eventos de criatividade e inovação do Brasil. Impossível assistir a tudo e ter uma única opinião sobre o festival. Por isso e em favor da troca de ideias, nosso pessoal de Criação, Planejamento e Inteligência compilou suas opiniões em 4 pequenas crônicas que só têm uma coisa em comum: a diferença entre elas.

Capítulo 2

ALÉM DOS SACHÊS DE CHOCOTINO, O QUE MAIS EU LEVEI DO PATH?

Por Gisele Rocha, Planner da Mark Up

Minha experiência no Festival Path foi um pouco fora da curva. Na minha agenda, havia palestras de diversos temas diferentes, desde IA e VR, passando por branding, games, meio ambiente, habitações, até pornografia e meditação.

Em dois dias, foram 16 palestras, 11 auditórios diferentes, duas exposições, uma feira de startups, um fast pass utilizado, quilômetros de filas, quilos de brindes e 712 sachês de chocotino instantâneo. No fim dessa jornada, elenquei as experiências que mais mexeram comigo.

Em primeiro lugar, ficaram as palestras sobre meio ambiente e o futuro das cidades. Comecei com Ricardo Cardim, que, com seu projeto Florestas Urbanas, vem devolvendo o verde à paisagem cinzenta de São Paulo.

Também descobri a Mariana Amazonas, que vem implantando no Brasil um projeto de fitorrestauração, em que jardins flutuantes tratam a água, o solo e – por que não – os esgotos. Essa alternativa só não é mais difundida por falta de interesse dos nossos governantes, que preferem fazer obras caríssimas.

Mas a melhor das três foi uma holandesinha chamada Ermi Van Oers, que, partindo do princípio de que tudo é energia, desde nossa respiração, nosso suor, até a decomposição de materiais por bactérias, desenvolveu projetos de captação de energia através de biodigestão e também do solo das plantas, entendendo que, no processo de fotossíntese, a planta devolve para o solo ânions e elétrons, e nesse processo é possível captar energia para iluminar parques, praças e até mesmo cidades. Saí da palestra de queixo caído, me sentindo o ser mais atrasado do planeta. Isso explica por que os holandeses estão muito à frente de nós. Desde a escola, eles são preparados para pensar lá na frente, criar soluções de forma disruptiva, despindo-se de valores e conceitos herdados dos avós, o que resulta em projetos impressionantes.

O segundo lugar ficou para o universo dos games. Abandonei as ideias pré-formatadas que tinha sobre o assunto ao descobrir que a indústria de games fatura três vezes mais que a indústria de cinema, que o jogo Clash of Clams arrecadou em um ano mais de 1,35 milhão de dólares e que a maioria dos usuários (53,6%) é composta por mulheres adultas, entre 25 e 54 anos. Os games têm capacidade de mudar o comportamento e a quantidade de possibilidades para contar histórias, trazendo os espectadores para o papel de protagonistas.

O terceiro ponto forte da minha jornada foi o painel que discutia o perfil dos consumidores de pornografia no Brasil. A mesa, encabeçada por Léo Jaime, discutiu tópicos que revelam a mudança de comportamento do brasileiro, a evolução das

mídias e a participação da mulher nessa revolução. Por meio de uma pesquisa realizada pelo canal Sexy Hot, descobri que a maior parte dos telespectadores brasileiros é formada por mulheres casadas e com filhos. Esse painel trouxe à tona diversos aspectos desse mercado, como a quebra de paradigmas e tabus. Hoje em dia, o assunto é discutido em mesas de bares, em programas de TV (aberta, inclusive!), em escolas e até mesmo no ambiente de trabalho.

No fim, Danilo Cid e Fabio Mariano Borges realizaram um wrap-up do festival, mostrando a resistência do ser humano em se adaptar e aceitar o novo ao longo da história. Voltei pra casa pensando o quanto já mudamos e o quanto ainda temos que mudar. Se a revolução é feminina, eu não sei, mas aceitar o novo é inevitável.

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